Ardilune
☾ 17 min de leitura
Capa — A Invasão Programada
Ardilune · Contos · Nº 44

A Invasão Programada

— Na sua casa. No seu corpo. Na sua cabeça. Ao mesmo tempo.

"Hoje eu não quero você dentro de mim, Dante. Hoje eu quero morar dentro de você."

A fita isolante apareceu na sacola do mercado numa terça-feira, entre o pão e o café — preta, larga, comprada com a naturalidade de quem compra pilha — e o Dante ficou olhando para ela na despensa por um tempo longo demais, porque naquela casa nenhum objeto era só um objeto: era sempre a primeira frase de alguma coisa maior.

— Sábado — disse a Selene, passando por trás dele com as compras, sem nem diminuir o passo, o hálito quente batendo de raspão na nuca dele. — E não pergunta. Perguntar estraga o meu apetite... e o apetite, meu amor, dessa vez é todo meu.

Ela plantou a semana inteira em cima dele com a paciência de jardineira: um dedo distraído descendo pela lombar dele na fila do café; a mão espalmada na base da coluna dele enquanto ele lavava louça, descendo um centímetro por dia; e na sexta à noite, deitados, ela colou a boca na orelha dele e regou tudo de uma vez:

— Hoje eu não quero você dentro de mim, Dante. — A voz saiu grave, líquida, no volume exato de um segredo. — Hoje eu quero morar dentro de você. Com calma. Com os dedos primeiro. Um de cada vez... até você esquecer qual é a porta e qual é a casa.

✦ ✦ ✦

O sábado começou com ela cuidando dele como se prepara um templo para a festa: o banho foi dela — a Selene ensaboando o Dante com as duas mãos, devagar demais para ser higiene, o sabonete rodando pelos ombros, pelo peito, descendo pelas costas e demorando na curva onde as costas mudam de nome, os dedos dela escorregando pelo vale dele em passagens leves, de reconhecimento, cada uma um telegrama do que viria. Ele endureceu no terceiro telegrama. Ela notou, sorriu contra o ombro dele, e não fez absolutamente nada a respeito — porque a espera era o produto, e a fábrica dela nunca entregava antes do prazo.

À noite, a sala estava pronta: a cadeira de espaldar firme no centro, uma toalha branca dobrada sobre o assento, o abajur de canto com pano escuro por cima fazendo a luz baixa e âmbar, e sobre a mesinha, dispostos em fila como instrumentos de orquestra, os protagonistas anunciados — o tubo de gel novo, ainda lacrado; as luvas de látex; a fita preta da despensa; o cinto de couro dele, enrolado em espiral; e o Lapis, vinho-escuro, recém-lavado, brilhando de expectativa própria.

A Selene o despiu de pé, no meio da sala, sem pressa nenhuma — cada botão da camisa um evento, cada peça dobrada e pousada na poltrona com um capricho que era metade cuidado e metade deboche — e o sentou na cadeira nu, com a toalha fria embaixo das coxas.

— Regras. — Ela circulou a cadeira uma vez, os dedos correndo pelos ombros dele na passagem. — Amarelo segura tudo. Três batidas do pé encerram tudo. E fora isso... — ela parou atrás dele, desceu as duas mãos pelo peito dele até a barriga, e mordeu a orelha dele devagar: — ...fora isso, Dante, o teu corpo hoje é o meu país. Eu entro, eu mapeio, eu colonizo. Você só precisa fazer uma coisa: sentir. Consegue fazer só isso pra mim?

— Consigo.

— Eu sei que consegue. — Beijo na nuca. — Você é o território mais talentoso que eu já anexei.

A amarração foi lenta e cerimonial: os pulsos dele guiados para trás do encosto e presos com o próprio cinto — o couro rangendo ao apertar, a fivela fechando num clique de cartório —, e depois ela ajoelhada diante dele, prendendo cada tornozelo na perna da cadeira com a fita isolante, volta por volta, o rasgo da fita soando alto no silêncio da sala, um som feio e industrial que naquela luz âmbar ficou obsceno de bonito. Ela testou tudo com dois dedos por baixo — folga exata, aperto exato — e ficou um momento ali, ajoelhada entre os joelhos abertos e fixados dele, olhando para cima, o rosto dela na altura do pau dele que já latejava sem crédito nenhum.

— Olha só para você. — Ela soprou de propósito, um sopro morno que o fez pular no ar. — Amarrado com o próprio cinto, na própria sala... e pingando antes de eu encostar. — Ela ergueu os olhos, e neles a luxúria estava tão nua quanto ele: — Eu vou te contar um segredo, Dante: eu esperei essa noite a semana inteira. Eu molhei no mercado, comprando fita isolante. Nós dois estamos exatamente onde queríamos estar.

✦ ✦ ✦

Ela calçou as luvas de látex devagar, dedo por dedo, esticando cada uma com um estalo fino — e o cheiro de borracha nova se misturou ao perfume dela e virou, dali em diante, o cheiro daquela noite para sempre. Rompeu o lacre do gel. Espremeu — e o som do gel saindo do tubo, alto e úmido no silêncio, atravessou o Dante como uma linha elétrica: o corpo inteiro dele entendeu, antes de qualquer toque, que a fronteira ia cair.

Ela aqueceu o gel entre o indicador e o polegar, esfregando devagar, e ajoelhou-se entre as pernas dele. Uma mão firme no quadril dele — âncora. A outra desceu por baixo.

— Respira fundo pra mim — pediu, a voz descendo para o registro das fundações. — E não pensa. Pensar é lá fora. Aqui dentro... só tem eu.

✦ ✦ ✦

A ponta do indicador tocou a entrada dele — fria de gel, macia de látex — e não empurrou. Girou. Círculos lentos, preguiçosos, a polpa do dedo massageando o anel de músculo com uma paciência de quem tem a noite inteira e sabe disso, cada volta espalhando o gel e o arrepio, cada volta um grau a menos de resistência. O corpo do Dante fez o que todo corpo faz: fechou-se, desconfiado, um reflexo mais velho que ele — e a Selene não brigou com o reflexo. Contornou-o. Continuou girando, morna, constante, sussurrando coisas sem palavras, até que o músculo, convencido por assembleia, começou a ceder contra a própria vontade — e ela sentiu na polpa do dedo o exato segundo da rendição.

Aí está você — sussurrou, e empurrou.

O dedo entrou como a maré sobe: sem um instante nomeável de início, só a pressão quente e escorregadia avançando milímetro a milímetro, o Dante sentindo a invasão lenta e constante abrir caminho por dentro dele, um alongamento que ardia um fio e derretia dois. Ela ia e parava. Ia e parava. Deixava o corpo dele mastigar cada centímetro antes de oferecer o próximo — e quando enfim a mão dela encostou nele por inteiro, dedo todo dentro, os dois soltaram o ar ao mesmo tempo, como se o mergulho tivesse sido dos dois.

— Isso... — o suspiro dela saiu baixo, fundo, de satisfação carnal verdadeira. — Abre pra mim, meu amor. Eu adoro você assim no comecinho. Tão apertado... tão quente... — ela girou o dedo devagar lá dentro, e ele gemeu rouco, e o pau dele pulou sozinho, latejando contra a barriga: — ...tão mentiroso. Olha esse corpo dizendo sim por todos os lados.

Ela começou a mover — e mover, no vocabulário dela naquela noite, era uma arte em três tempos. Primeiro só o giro: o dedo rodando dentro dele sem sair do lugar, apresentando-se às paredes, acordando terminações que o Dante não sabia que pagavam aluguel ali. Depois o vaivém curto: um centímetro para fora, um para dentro, hipnótico, no andamento de uma valsa lenta demais. E então, quando o corpo dele já ondulava sozinho contra a fita — o quadril pedindo em idioma de bicho —, ela curvou o dedo. De leve. Sabida. Procurando por dentro da parede da frente com a polpa, um sonar paciente... até encontrar.

A onda que subiu pela espinha do Dante não tinha precedente no arquivo: um prazer grave, profundo, interno, que não pedia licença ao pau e mesmo assim o fez latejar com força — e o gemido que escapou dele foi rouco, quebrado, de homem descobrindo um cômodo novo na própria casa depois de anos morando nela. Uma gota grossa escorreu da cabeça do pau dele e pingou na barriga, brilhando na luz âmbar.

Achei. — A Selene riu baixinho, gulosa, e pressionou de novo, devagar, assistindo à reação como quem assiste ao próprio poder: — Sente isso? Esse aqui é o meu botão preferido da casa inteira. Fica bem aqui dentro... onde só entra quem você deixa. — Ela massageou em círculos pequenos, e o Dante tremeu da nuca aos tornozelos presos: — E você deixou eu. Só eu. Eu podia morar aqui, Dante. Eu tô pensando seriamente em morar.

Ela brincou naquele registro por um tempo que ele não soube medir — pressão, círculo, pausa, o vaivém voltando, a próstata visitada e abandonada e revisitada num rodízio cruel — e o Dante escorria sem parar agora, fios finos pingando da cabeça do pau na barriga, o corpo inteiro brilhando de suor na luz baixa, os músculos dos braços desenhados contra o couro do cinto. Foi então que ela recolheu o dedo quase todo, somou o médio à ponta do indicador, regou os dois de gel novo — o som do tubo de novo, obsceno, agora um aviso conhecido — e encostou os dois na entrada dele.

— Dois agora. — Não era pergunta, mas ela esperou mesmo assim, os olhos nos dele, o consentimento colhido no olhar como a casa mandava. Ele assentiu, sem voz. — Respira... e me recebe.

Os dois dedos entraram juntos, devagar, e o alongamento dobrou: uma ardência limpa, honesta, que a paciência dela foi dissolvendo em calor — ela imóvel na metade do caminho, esperando, os lábios dela beijando o joelho dele, a parte interna da coxa, o vinco da virilha, distraindo a dor com a boca até a dor mudar de opinião. Quando os dois dedos afundaram por inteiro e o corpo dele os abraçou, apertando em pulsos involuntários, a Selene gemeu junto — um gemido pequeno e faminto, dela, e o Dante percebeu com um choque elétrico que a respiração dela estava tão desfeita quanto a dele. Ela não estava operando. Estava se deliciando.

— Olha como você me recebe... — ela sussurrou, movendo os dois dedos agora em tesoura lenta, abrindo-o com uma delicadeza voluptuosa, o vaivém ganhando amplitude: — tão quente por dentro... tão macio depois que cede... eu sinto cada tremor teu na ponta dos dedos, sabia? É o videogame mais lindo do mundo. — Uma curvada dupla, os dois dedos achando o ponto juntos, e ele gritou curto: — Esse som. Esse som paga a semana.

O terceiro dedo veio muito depois — depois de ele implorar sem palavras, depois de o quadril dele acompanhar o ritmo dela por conta própria, depois de ela decretar, mordendo o queixo dele, que agora ele já não sabia mais se pedia para parar ou para sempre. Três dedos, gel abundante, a entrada dele esticada e cintilante em volta deles — e a sensação de cheio mudou de categoria: o Dante tremia na cadeira inteira, o couro rangendo, a fita esticando, o pau numa lateje contínua babando fios na barriga, o mundo reduzido àquela pressão larga e quente que ela conduzia por dentro dele com três dedos e uma volúpia de dona de tudo.

— Eu adoro te preparar assim — murmurou ela, a voz espessa, o rosto a um palmo do pau dele, o hálito quente batendo na pele molhada: — adoro sentir você se abrindo pros meus dedos... adoro ver esse pau duro babando pra mim enquanto eu te fodo por dentro sem nem encostar nele... — ela ergueu os olhos, e eles estavam pretos até a borda: — ...e adoro saber que ninguém no mundo te viu assim. Ninguém. Esse Dante aqui é fabricação exclusiva minha.

Quando ela retirou os três dedos — devagar, um comboio deixando a estação — o vazio foi um golpe físico: o corpo dele pulsou em volta de nada, aberto e abandonado, e o som que o Dante fez foi um protesto sem nenhum orgulho dentro. A Selene levantou-se, tirou as luvas com dois estalos, e se despiu diante dele enfim — o vestido caindo, nada por baixo, a pele dela dourada na luz âmbar e os sinais todos à mostra: os mamilos duros, o brilho nas coxas, a marca dos próprios dentes no lábio de baixo. Ela pegou o Lapis da mesinha e deslizou a parte curta para dentro de si na frente dele, sem pressa, gemendo o encaixe de olhos abertos, exibindo o quanto aquela noite era dela também.

— Tá vendo? — Ela ligou a vibração dos dois lados no nível baixo e estremeceu inteira, rindo do próprio tremor. — Encharcada, Dante. De te abrir. De te ouvir. Agora... — ela posicionou a ponta do brinquedo contra a entrada dele, escorada, paciente — ...agora eu vou te foder do jeito que você me fode quando eu peço devagar: com todo o tempo do mundo e nenhuma piedade.

Ela entrou como prometeu. A cabeça do Lapis forçou a entrada preparada e venceu-a num deslizar lento, e o Dante sentiu-se abrir de novo — mais largo que os dedos, mais fundo, mais cheio — centímetro por centímetro, ela avançando e parando, avançando e parando, lendo cada resposta do corpo dele com a atenção de quem afina um instrumento raro e caro. Quando o quadril dela encostou nele por inteiro, os dois ficaram imóveis, soldados, a vibração dupla zumbindo baixinho entre eles, costurando-os por dentro — e ela se debruçou sobre ele, peito no peito, a boca na boca, e o beijou fundo com o brinquedo todo dentro dele, o beijo mais cheio da história dos dois.

— Sente a gente? — sussurrou ela contra os lábios dele. — Eu dentro de você... você em volta de mim... a fronteira faliu, meu amor. Faliu.

E começou a se mover. Estocadas lentas e profundas, o quadril dela rolando com uma volúpia líquida, cada saída um quase-abandono, cada volta um preenchimento que fazia o pau dele pular e babar — e ela sentia tudo do outro lado, a base do Lapis pressionando e vibrando dentro dela a cada avanço, o circuito fechado dos dois corpos gemendo em dueto, o gemido dele alimentando o quadril dela, o gemido dela alimentando o quadril dele contra a fita. Ela variava como uma compositora: fundo e devagar até ele choramingar; raso e rápido, só a cabeça do brinquedo provocando a entrada, até ele xingar; o ângulo ajustado — ela sabia o mapa, tinha desenhado o mapa com os próprios dedos meia hora antes — até cravar o ponto e o Dante ver luz atrás dos olhos.

— Fala meu nome — exigiu ela, fodendo-o devagar e fundo, o suor escorrendo entre os seios dela.

Selene...

— De novo. Com o corpo junto.

Selene. — E o quadril dele subiu contra ela, oferecido, e ela recompensou com três estocadas exatas no ponto, e ele quase foi.

Quase. Porque ela sentiu a borda chegar — ela sempre sentia — e parou, enterrada nele, imóvel, os dois tremendo, a vibração dupla fazendo o trabalho de mil pequenas crueldades. O Dante estava ofegante, encharcado, o corpo puxando contra as quatro amarras, o pau latejando sem parar, escorrendo, a súplica já sem nenhum idioma no dicionário.

Foi quando a Selene se inclinou até a orelha dele, sorriu contra a pele — ele sentiu o sorriso — e estalou os dedos.

Duas vezes.

O comando desceu pelo sistema como raio em fio-terra: a onda instalada explodiu por cima da onda real, prazer sobre prazer, programado sobre carnal, o quadril dele arqueando para a frente sozinho, tudo de uma vez, insuportável — e quando o grito subiu pela garganta dele, ela pousou dois dedos no ombro esquerdo. A voz morreu no contato. O grito virou respiração picada, tremor mudo, o corpo inteiro do Dante convulsionando em silêncio absoluto enquanto ela retomava as estocadas com força agora, fundo, ritmada, cravando o ponto sem trégua nenhuma —

— e ele gozou assim: mudo, amarrado, comandado, sem uma mão no pau — o orgasmo explodindo de dentro para fora, a próstata rendida detonando tudo, o pau pulsando e jorrando sozinho em jatos longos pela barriga e pelo peito, o corpo em terremoto contra o couro e a fita, as lágrimas descendo quentes pelo rosto sem pedir licença — e a Selene dentro dele o tempo todo, movendo devagar agora, funda e lenta, ordenhando o terremoto, prolongando cada contração com o quadril paciente, gozando ela também no meio — a base vibrando, o espetáculo dele, o poder — o orgasmo dela desabando por cima do dele com um grito que valeu pelos dois, já que ele não podia.

Durou o que as coisas grandes duram: além da conta. Quando enfim parou — as réplicas ainda sacudindo ele de dez em dez segundos —, ela saiu devagar, um comboio deixando a estação pela última vez, e o Dante ficou ali: ofegante, escorrido, marcado de si mesmo, chorado, ainda meio duro, completamente destruído e completamente inteiro, as duas coisas sem contradição nenhuma.

✦ ✦ ✦

Ela desafivelou o cinto primeiro — os pulsos dele massageados um a um, o polegar dela desenhando círculos na marca vermelha do couro — e cortou a fita dos tornozelos com a tesourinha de pontas redondas que morava, desde sempre, no bolso de todos os figurinos dela. Trouxe água da cozinha e o fez beber devagar, segurando o queixo dele, o copo inclinando no ritmo dela, a água fria descendo pela garganta dele em estado de graça. Depois a toalha morna, passada pelo peito e pela barriga dele com uma ternura de quem limpa uma escultura recém-terminada. E por fim o colo: ela sentou no sofá, deitou a cabeça dele nas próprias pernas e ficou penteando o cabelo dele com os dedos, no silêncio bom, até os tremores virarem respiração e a respiração virar quase-sono.

— Dante. — A voz dela chegou de longe, do alto do colo. — Volta um pouquinho, que eu quero te dizer uma coisa e quero você ouvindo.

— Tô aqui.

— Hoje eu entrei na tua casa com a tua fita, te amarrei com o teu cinto, te abri com a minha mão, te fodi com o meu corpo e te fiz gozar com um estalo que eu plantei em você. — Ela enumerou tudo devagar, sem vaidade, como quem confere um inventário sagrado. — Casa, corpo e cabeça. Ao mesmo tempo. E você me deixou. — Os dedos dela pararam no cabelo dele; ele olhou para cima e encontrou os olhos dela brilhando, marejados de um orgulho fundo e quieto: — Não existe no mundo presente maior que esse, meu amor. Não existe. Eu queria que você soubesse que eu sei.

— Eu sei que você sabe. — Ele beijou a parte de dentro do pulso dela, devagar. — É por isso que eu deixo.

Ficaram um tempo assim, a sala âmbar, a cadeira vazia no meio como um monumento a uma batalha que os dois venceram juntos. E então ela riu baixinho — o riso escandaloso amansado em riso de travesseiro — e ele sentiu a agenda chegar antes da frase, como sempre, como em todos os quarenta e quatro volumes:

— Sabe o que eu fiquei pensando, te vendo gozar daquele jeito, mudo, só no meu comando? — Os dedos dela voltaram a andar pelo cabelo dele, distraídos e perigosos. — Que o teu corpo inteiro já é meu instrumento... menos uma coisa. A tua voz eu só sei desligar. Eu quero aprender a tocar. — Ela inclinou-se e beijou a testa dele, e a última frase da noite desceu junto, mansa como toda véspera: — Sábado que vem, o caderno preto sai da gaveta, Dante. Quarenta e quatro volumes... e você vai ler cada um pra mim. Em voz alta. De joelhos. Do primeiro suspiro... até esta frase aqui.

Para levar a história para a vida real
O catálogo que inspira estes contos
Conhecer a Lovense →
Este conto contém link de afiliado. Posso receber comissão por compras qualificadas, sem custo extra para você.
Fim da estante
Voltar à biblioteca
Ver os 44 contos →
← Nº 43 · A Tarifa

Não perca o próximo

Contos novos, em breve narrados. Direto no seu e-mail.

✓ Você está na lista.